
O plenipotenciário global, George W. Bush, em seus atributos de comandante-em-chefe da ignorância política e da violência econômica, esteve passando em revista as tropas israelenses no começo do ano. Segundo os jornais, o american president foi à região para tentar acelerar o processo de paz. Não me digam! Será que em vez de Bush, o Jack Bauer de Guantánamo, ele quer sair do Salão Oval para entrar na história como Bush, o pacificador?
Não que eu queira viver no "mundo encantado de Saddam ou Bin Laden", mas veja como funciona a história nesse admirável mundo novo. Primeiro, Bush Filho vem a público qual um profeta hebreu dizer que ouviu a voz de Deus. A menos que o Senhor intervenha e desmascare esse baalim travestido de pacificador, será o apocalypse now. Valha-nos, my Lord!
Depois, Bush Jr. resolve andar por onde Jesus andou. Repito para que ninguém vos engane: andar POR ONDE e não COMO Jesus andou. Assim, é provável que em suas reminiscências soletradas a um escriba de Roliúdi, Bushzinho nos conte como peregrinou pela Terra Santa com mais seguranças do que seguidores de Cristo, de como achou que teria que andar sobre as águas da Galiléia pois o preço do barril de petróleo estava por demais e inflacionou o preço do passeio de barco, de como teve uma iluminação para ser menos intransigente mas deixou pra lá porque não sabia o que significava “intransigente” e, last but not least, de como conseguiu continuar um discurso ao vivo do Monte das Bem-Aventuranças depois que o teleprompter emperrou.
Abaixo, trechos do “monte” de bem-aventuranças que Bush revelou aos homens:
Bem-aventurado Bush, o pacificador, porque dele é a terra e tudo que nela há;
Bem-aventurado o estadunidense cristão, porque “pelo menos ali ele sabe que é livre” (aqui, Bush quis mostrar que sabia poesia e citou o refrão do hino patriótico God bless the USA);
Bem-aventurados os mansos que ficam ainda mais mansos com um empréstimo americano;
Bem-aventurados os humildes de coração valente, porque eles serão como Mel Gibson;
Bem-aventurada a TV americana, que tem o direito de ficar calada sobre as maldades da política externa dos EUA;
Bem-aventurado o cinema americano, que esconde os pobres da América, expulsou Chaplin, elegeu Reagan e divulga em 1000 salas os 1001 tiros de Rambo;
Bem-aventurada a nossa civilização judaico-cristã-ocidental, porque tem o MacDonald pra lhe alimentar de dia e a CIA pra lhe vigiar de noite.
Após essas palavras, Bush the King desceu do monte confiante como nunca e foi proceder ao apressamento da pacificação do reino. Para tanto, teve uma idéia que nenhum redator da Casa Branca jamais teria e a fez espalhar pelos quatro poderes (principalmente o quarto), dizendo com sua sempiterna boa vontade presidencial: “Não vim trazer a espada, mas a paz”. Após um breve silêncio, os mísseis voltaram à ação.
Como pode ser bom o estado democrático. Posso fazer graça com Bush sem que ninguém me censure (no reino de Osama, o gracejo seria impossível). Nem Bush pode apagar as coisas boas da América.
Mas também é bom poder denunciar, se não a nudez do rei, pelo menos seus trapos de imundície.
Não que eu queira viver no "mundo encantado de Saddam ou Bin Laden", mas veja como funciona a história nesse admirável mundo novo. Primeiro, Bush Filho vem a público qual um profeta hebreu dizer que ouviu a voz de Deus. A menos que o Senhor intervenha e desmascare esse baalim travestido de pacificador, será o apocalypse now. Valha-nos, my Lord!
Depois, Bush Jr. resolve andar por onde Jesus andou. Repito para que ninguém vos engane: andar POR ONDE e não COMO Jesus andou. Assim, é provável que em suas reminiscências soletradas a um escriba de Roliúdi, Bushzinho nos conte como peregrinou pela Terra Santa com mais seguranças do que seguidores de Cristo, de como achou que teria que andar sobre as águas da Galiléia pois o preço do barril de petróleo estava por demais e inflacionou o preço do passeio de barco, de como teve uma iluminação para ser menos intransigente mas deixou pra lá porque não sabia o que significava “intransigente” e, last but not least, de como conseguiu continuar um discurso ao vivo do Monte das Bem-Aventuranças depois que o teleprompter emperrou.
Abaixo, trechos do “monte” de bem-aventuranças que Bush revelou aos homens:
Bem-aventurado Bush, o pacificador, porque dele é a terra e tudo que nela há;
Bem-aventurado o estadunidense cristão, porque “pelo menos ali ele sabe que é livre” (aqui, Bush quis mostrar que sabia poesia e citou o refrão do hino patriótico God bless the USA);
Bem-aventurados os mansos que ficam ainda mais mansos com um empréstimo americano;
Bem-aventurados os humildes de coração valente, porque eles serão como Mel Gibson;
Bem-aventurada a TV americana, que tem o direito de ficar calada sobre as maldades da política externa dos EUA;
Bem-aventurado o cinema americano, que esconde os pobres da América, expulsou Chaplin, elegeu Reagan e divulga em 1000 salas os 1001 tiros de Rambo;
Bem-aventurada a nossa civilização judaico-cristã-ocidental, porque tem o MacDonald pra lhe alimentar de dia e a CIA pra lhe vigiar de noite.
Após essas palavras, Bush the King desceu do monte confiante como nunca e foi proceder ao apressamento da pacificação do reino. Para tanto, teve uma idéia que nenhum redator da Casa Branca jamais teria e a fez espalhar pelos quatro poderes (principalmente o quarto), dizendo com sua sempiterna boa vontade presidencial: “Não vim trazer a espada, mas a paz”. Após um breve silêncio, os mísseis voltaram à ação.
Como pode ser bom o estado democrático. Posso fazer graça com Bush sem que ninguém me censure (no reino de Osama, o gracejo seria impossível). Nem Bush pode apagar as coisas boas da América.
Mas também é bom poder denunciar, se não a nudez do rei, pelo menos seus trapos de imundície.
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