03 março, 2008

De Bach em Bach


O que é um homem sem sua peruca barroca, não? Desprovido desse acessório, Johann Sebastian ficou parecendo o carroceiro da praça em frente da igreja onde tocava. Sem nenhum demérito aos valorosos e anônimos carroceiros de Leipzig.

Na reconstituição do rosto de Bach (confira mais detalhes aqui), parece que o compositor ganhou mais melanina, o que o torna um tanto moreno demais para os padrões germânicos desde sempre. Já pensou, o pai da música erudita-ocidental-cristã não ser tão branco como pintaram? Se isso for verdade, o processo de ‘branqueamento’ dos ícones culturais já vem de longe mesmo. Não faz muito tempo que aqui no Brasil se tinha retratos de Carlos Gomes e Machado de Assis (há outros e muitos) “lavados e enxaguados” em Omo progress do tipo sua pele nunca mais será a mesma.

Também se conta que a Globo embranqueceu Chiquinha Gonzaga naquela minissérie em que a maior compositora popular brasileira foi vivida pelas “morenas” Regina e Gabriela Duarte.

Branco ou moreno, feio ou bonito, também consta que Bach preferiu não seguir a tradição de casar com a filha do werkmeister e organista da Marienkirche de Lübeck para poder assumir esse que era um dos cargos mais concorridos do país. O organista era o grande Buxtehude e, se a filha de Buxtehude pareceu não suscitar em Bach grandes admirações, talvez fosse porque Johann Sebastian já estivesse comprometido com alguém (ou com outro plano profissional), ou não quisesse mesmo se comprometer com tal figura.

Bem, melhor mesmo é procurar ouvir a obra musical de Bach, sem dúvida, um dos cumes do Himalaia artístico e cultural da humanidade.

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