
Desde sua fundação arbitrária em 1948, o Estado de Israel jamais trabalhou pela paz ou teve boa vontade para com os palestinos. Ao contrário, acusa-se Israel de usar os meios mais vis para exterminar uma população inteira, para levar adiante um projeto que não pode ter outro nome a não ser o da limpeza étnica (?!). Parece inacreditável que o governo israelense venha atacando os palestinos da Faixa de Gaza quando, não faz muito, o povo judeu foi cruelmente atacado pelos nazistas. Construção de muro de segregação, bombardeio de escolas e universidades, impedimento da entrada de imprensa e até de ajuda humanitária.
Se fosse o contrário, palestinos cometendo uma chacina em Belém, o clamor internacional ressoaria por todas as rádios e TVs do mundo. Mas, infelizmente, o que se vê até agora é uma imprensa silenciosa, coadunada com a opinião calcificada de que qualquer crítica a Israel é mostra de anti-semitismo.
Os palestinos do Hamas decerto cometeram e cometem assassinatos, são adeptos do vil terrorismo e não se pode concordar jamais com o lançamento de mísseis sobre cidades israelenses. O Hamas nem sequer reconhece a existência do Estado de Israel. Porém, o governo de Israel (reforço que não se trata de medidas do povo judeu, mas de uma orientação oficial histórica do seu governo) já expulsou 750 mil palestinos, convertendo-os em refugiados e impedindo o retorno deles, apesar das resoluções da ONU.
No artigo “Israel e suas bombas nunca quiseram a paz”, Haim Bresheet, professor da Universidade de East London, afirma que “desde 1967, Israel fez tudo que algum Estado poderia fazer para tornar impossível qualquer solução política: colonizou por vias ilegais territórios ocupados por via ilegal e recusou-se a acatar os limites de antes das invasões de 1967; construiu um muro de apartheid; e tornou a vida impossível para a maioria dos palestinos. Nada, aí, faz pensar em esforço de paz. Antes, é operação continuada e sistemática para a limpeza étnica dos territórios palestinos ocupados ilegalmente”.
Para o veterano jornalista israelense Uri Avnery, autor de uma carta aberta a Barack Obama, o governo de Israel rejeitou a negociação da paz e prefere agir militarmente porque se tornou um Estado militarista, dotado de uma arrogância típica de uma potência ocupante.
A Bíblia conta a história de Sansão, líder hebreu que esqueceu as atribuições de liderança outorgadas por Deus e foi fazer intriga com os filisteus que habitavam em Gaza. Suas peripécias contra seus inimigos retratam a imagem de um homem distante de Deus: táticas terroristas como queimar plantações e demonstrações de força como arrancar o portão de uma cidade revelaram a ineficácia das ações do homem mais forte do mundo.
Prepotência, auto-suficiência e sujeição aos instintos eram os males de Sansão. Arrogância, preconceito e inimizade são os males do Israel contemporâneo.
E nós, os ocidentais, cujos líderes exigem o cessar-fogo em Gaza como quem pede um favor ou uma pizza? Nós, cujos presidentes fecham os olhos para o genocídio em nações sem petróleo e sem filosofia judaico-cristã, como Ruanda, Somália e Palestina? Nós, que nos emocionamos com os filmes sobre o terrível Holocausto perpetrado contra os judeus e não nos comovemos quando se trata do massacre israelense contra os palestinos? Nós que esquecemos rapidamente dos terríveis ataques palestinos aos judeus?
Há ainda aqueles que utilizam a Bíblia como um documento cartorial que concede sesmarias aos donatários judeus, fazendo com que a outrora terra prometida se torne uma terra pró-sionista. Enquanto a tragédia for encoberta com o véu da grande e da pequena mídia, enquanto os líderes de um lado e de outro estiverem cegos pelo olho por olho, enquanto ambos os povos não trocarem a guerra santa pelo santo diálogo, enquanto as outras nações ficarem paralisadas assistindo a morte de crianças, não haverá possibilidade de coexistência pacífica.
Só haverá a imagem de uma terra santa sem paz e a aterradora presença de homens de má vontade.
Acima, foto tirada por celular. Enviada pelo prof. Said Abdelwahed, de Gaza, Palestina para o blog Moments of Gaza .
Comentários
E pensar que esta guerra toda é so por causa da riqueza do lugar. Em que o homem se tornou...Deus deve ficar muito triste ao ver a humanidade!!!!!!!!!