27 novembro, 2009

verdades e mitos: mensagem subliminar na música

O que é a verdade? Essa pergunta ressoa há muito tempo, inclusive sendo feita pelo hesitante Pôncio Pilatos a Jesus. A filósofa Marilena Chauí apresenta uma perspectiva tríplice do que compreendemos hoje como "verdade":

a) Em grego, verdade é aletheia, que seria algo evidente e plenamente visível para a razão. Essa concepção de verdade está embasada no demonstrável hoje, no presente.
b) Em latim, verdade é veritas, e tem a ver com o rigor e a precisão de um relato. Essa noção está relacionada à fidedignidade no relato de um acontecimento passado.
c) Em hebraico, verdade é emunah, que significa uma crença fundada na confiança e na esperança. A palavra "amém", que quer dizer "assim seja", tem raiz no termo emunah. Quando dizemos amém, o dizemos baseados na confiança presente, mas também firmados na esperança para o futuro.

Nossa concepção de "verdade" tem a ver com o verificável, com o fidedigno, com a confiança.

E o mito, o que é? Mito é uma forma que apresenta uma solução imaginária para compreender e justificar os fenômenos. Os conflitos e contradições havidos num fato histórico são diluídos em prol de uma visão apaziguadora e falsamente real. As causas do falso e do erro são as opiniões preconcebidas, as falhas de percepção, os enganos da memória, mas, ainda segundo Marilena Chauí, as causas do erro encontram-se na vontade.

Nas discussões sobre música sacra, os mitos são notórios. E mitos não possuem precisão histórica, sociológica e até teológica. Portanto, precisamos compreender a diferença entre o parecer e o ser das coisas a fim de não ser levados por qualquer vento de doutrina ou tradição de homens, pois muitos não passam de mitos propagados como verdade.

As mensagens subliminares foram até uns tempos atrás o motivo de atração de palestras sobre música. Pregadores, pastores e palestrantes agitavam as congregações e platéias com as demonstrações de que, por baixo de camadas de som, estava ali uma mensagem satânica para manobrar os incautos.

Porém, o que era uma moda pseudocientífica nos anos de 1970, hoje não passa de uma lenda urbana. Sabe-se que a maioria das supostas mensagens subliminares da música era preparada propositalmente para:
1 – vender mais discos;
2 – fazer troça com a onda da mensagem subliminar

Além disso, se tem uma coisa que o rock não precisa é de mensagem oculta. As mensagens (positivas ou negativas) do rock estão bem explicitadas nas letras, nas performances e na vida de vários de seus astros.

Pergunta: as mensagens invertidas na música existem?

Existem, sim. Na cabeça poluída de quem ouve frases claras em meio a um zumbido ininteligível. Experimente ouvir uma música que tenha uma “clara mensagem subliminar” sem ninguém lhe dizer antes o que você irá ouvir.

“Se você tocar um hino em rotação invertida, e por muito tempo em várias velocidades, ele dirá qualquer coisa que você queira escutar” – James Walker.

E o que disse Evan Olcott à revista Music and Technology?: “Você provavelmente não ouvirá mensagens [invertidas] até primeiro alguém apontá-las para você. Percepção é influenciada pela expectativa e a expectativa é afetada pelo que os outros falaram para você”.

E tecnicamente é possível esconder uma mensagem na gravação de uma música?

O mesmo Evan Olcott me socorre quando o assunto é engenharia de som: “De fato, planejar um reverso fonético é algo próximo do impossível, e mais difícil ainda quando se tenta fazê-lo com palavras que caibam numa canção”.

Vemos, então, que os propalados efeitos das mensagens subliminares na música são, na verdade, um MITO. Sem mais perguntas, meretíssimo.

Leia também aqui no blog: "as mensagens nada subliminares do rock"

2 comentários:

André R. S. Gonçalves disse...

Joêzer,
eu acredito que a dúvida mais séria é a inserção de palavras invertidas e não cantadas ao contrário, que realmente é algo que beira ao impossível. Não sou fã deste sensacionalismo barato, mas tecnicamente uma mensagem pode ser gravada em fala comum, em seguida invertida no programa e depois inserida neste formato na faixa. Alguns fizeram isso de maneira audível, mais para ganhar exposição. Por outro lado estou sob forte impressão que isso é usado de maneira imperceptível ao nosso ouvido, mas que mesmo assim é decodificado pelo cérebro. Você tem alguma informação sobre este tipo de mensagem subliminar?
Deixo claro que esta forma seria usada mais do ponto de vista comercial, para promover certos produtos, do que transmitir uma ideologia, etc., mas me parece possível.
forte abraço
Shalom

joêzer disse...

segundo especialistas, para um som ser subliminar é preciso gravá-lo num volume muito baixo e enterrá-lo sob camadas de outros sons. Mas para ser percebido, o som, que é que uma onda de pressão causada pelo deslocamento de ar, precisa ter energia suficiente para fazer vibrar o tímpano do ouvido. essa energia um som subliminar por definição não teria.

a mensagem subliminar que atinge a visão, mesmo rápida demais e cercada de mitos também, é mais factível - porque vimos, mesmo sem deter o olhar.
se diz que raul seixas certa vez gravou a voz no estúdio acompanhado de leitura de versos ocultistas feita por paulo coelho em outra frequência. se isto não for mais um mito demonizante, de outro lado também nunca ficou provado, já que não se escuta nada além da música, mesmo com a escuta atenta.
acredito no uso da música para atrair comercialmente os consumidores. mas essa música não é subliminar.
o que percebemos em certas lojas e supermercados é uma voz bem audível que convida o indivíduo a comprar este ou aquele produto em promoção, com fundo musical.
é possível emitir em outra frequência simultânea frases estimulantes e não audíveis imediatamente?
a conferir.