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meninos, eu vi - 2009

Fim de ano, fim da década, fim de feira, fim de mundo. Nessa hora, a falsa utilidade das listas serve para relembrar e nortear o que foi marcante durante um ano ou uma década ou qualquer tempo que o valha. Nesse texto, assinalo os filmes que fizeram com que eu ainda acreditasse que nem tudo é vampiro com expressão de Botox no mundo cinematográfico.

Para escapar da avalanche de filmes feitos para adolescente histérica gritar, o jeito é rebobinar o passado (rebobinar, lembra?) e ver ou rever filmes que não se submeteram à tortuosa política de Roliúdi: "Quanto mais descerebrado e barulhento, melhor. Com direito a duas sequências sem noção".

Há outros, mas selecionei os seguintes filmes por questão de espaço e importância. Importância pessoal, claro, ou isto não seria uma evidente lista arbitrária.


Frost/Nixon (EUA, 2008)
O jogo de mentiras e meias-verdades que cerca a política e os programas de entrevistas da TV. Um filme sério e jamais monótono.

Entre os Muros da Escola (França, 2008)
A vida na sala de aula como ela é. Escrevi mais sobre esse grande filme nesse artigo aqui.


Fitzcarraldo (Alemanha, 1982)
Um homem com uma idéia fixa na cabeça e pouco dinheiro na mão quer construir um teatro de ópera na selva amazônica do início do século XX. Imagens inesquecíveis, como a de um navio puxado montanha acima demonstram a excentricidade do personagem e também do diretor Werner Herzog.
A Partida (Japão, 2008)
Esqueça as descartáveis cenas em que o personagem violoncelista toca pelas paisagens bucólicas no pior estilo André Rieu. Fique com a delicadeza desse comovente filme japonês, uma reflexão sobre a morte e as pazes consigo e com os outros.


Star Trek (2009)
Filme que recupera a leve fantasia escapista do seriado Jornada nas Estrelas que marcou minha pré-adolescência, se é que existia pré-adolescência nos anos 80. Aqui, os efeitos visuais estão a serviço do enredo e não o contrário.

Os Sete Samurais (Japão, 1954)

Revisto e continuamente admirado. Se você for levado pela impressão de que já viu essa história, é isso mesmo: todos os filmes que você comparar beberam na fonte que combina ação e conflito ocidentais com reflexão e silêncio orientais.


A Pequena Loja da Rua Principal (Tchecoslováquia, 1964)

Um cidadão tcheco comum é obrigado a tomar conta da loja de uma anciã judia quando um vilarejo é tomado pelos nazistas. A convivência forçada de ambos terá efeitos transformadores para ele, mas drásticos para ela. Uma aula de cinema que mescla ternura e denúncia e que não se deixa levar pela tentação da pieguice barata.

Wall-e (2008)

Uma proeza artística que apresenta uma equilibrada mensagem ecológica e uma narrativa digna de Chaplin. Obra-prima.

Aguardem, sem maiores expectativas: meninos, eu vi (a década) e meninos, eu li e ouvi 2009.

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