16 julho, 2010

ide e pregai x ficai e debatei

Como contar a velha e feliz história de um Salvador para um mundo radicalmente diferente do contexto original da história?

Vivemos numa sociedade de valorização das identidades culturais e de defesa dos direitos individuais. Surgem comunidades ou subgrupos que se formam por questões de gostos, interesses ou outras afinidades eletivas. Em nossos círculos estudantis e profissionais convivemos com pessoas de crenças diversas ou de descrença quase total. Alguns deles, nunca tiveram acesso ao conhecimento da Bíblia. Só conhecem a religião pela forma deturpada de evangélicos ajuntando fortunas ilegais, de católicos esfolando o joelho em romarias, de espíritas de novela da TV.

Como atingir pessoas bem-educadas e que argumentam contra a necessidade da religião em nosso tempo? Como alcançar indivíduos que vivem na mais abjeta miséria econômica? Como chegar até uma gente que passa os dias pressionada pelas cargas profissionais, sitiada pelas grades dos condomínios, assaltada pelas ofertas de felicidade da propaganda?

A seara está madura, os ceifeiros estão no campo, e nós aqui discutindo se esse ou aquele versículo condena os instrumentos de percussão, se esse ou aquele trecho corrobora minha interpretação sobre a Trindade, se esse ou aquele corte de cabelo rebaixa a consagração de desconfortáveis bancos de capelas e igrejas. Qual é o nosso chamado mesmo? Ide e pregai ou Ficai e debatei?

Não pense que estou desprezando a importância da pesquisa de temas doutrinários ou de assuntos relativos ao comportamento cristão. Ao contrário, creio piamente que perecemos se não buscamos o conhecimento. Eu mesmo, em meu contrariado anonimato, faço palestras e fico e debato questões de interesse da comunidade cristã.

Examinar estilos musicais e formas de arranjo e composição é válido: o “vale-tudo adoracionista” tende a criar dissensões quando imposto a uma congregação tradicionalmente distinta daquela para a qual foi previamente elaborada. Aprender a discernir a qualidade e a temática dos filmes a que se assiste é válido: ninguém precisa provar de tudo só para reter o que é bom. Estudar a revelação de Deus é sempre válido: é preciso conhecer a fundo a religião a qual se dedica a vida.

A mensagem cristã ainda é a mesma, o cerne da mensagem ainda é o mesmo, mas as estratégias do “ide e levai a mensagem” não poderão ser sempre as mesmas. Há cristãos que precisam gastar mais tempo elaborando novos métodos a fim de que a velha mensagem alcance novas pessoas. Há gente que precisa perceber que certos métodos que arrebanham um enxame acabam trazendo vexame ao evangelho. Outros de nós talvez nem precisemos de um novo método, mas de uma nova, genuína e diária conversão.

4 comentários:

Loren disse...

Amém!:)

Victor Meira disse...

Eu acho é que tem ide e pregai demais pra pouquíssimo ficai e debatei.

armaduraadventista disse...

Joêzer

Esse problema pode ser enfrentado inteligentemente se resolvermos fazer as duas coisas.
Ninguèm daria a sua vida por algo que desconhece ou não entende.
Levar um evangelho mau resolvido, mau compreendido, não resolve.

EFCarvalho

joêzer disse...

a saudável tensão do equilíbrio, evanildo. não é fácil, mas deve ser a meta.