15 outubro, 2010

a forma e a essência da adoração

A Revista Adventista de setembro traz uma entrevista que merece reflexão e ação por parte dos líderes e músicos da igreja. O entrevistado, Edemilson Cardoso, pastor da Capital Brazilian Temple, em Washington DC, diz que precisamos repensar nossos modelos litúrgicos. Ele vê que o caminho para o reavivamento dos cultos passa por uma vida de comunhão e pelo resgate dos elementos bíblicos na adoração. Mas ele não descarta os recursos e formas musicais contemporâneas de expressão.

Transcrevo a seguir alguns pontos da entrevista (especialmente os tópicos sobre música).

Importância da música para a igreja
Na maioria dos reavivamentos pelos quais o povo de Deus passou, o ministério da música foi restaurado. Davi, por exemplo, foi o que reestruturou da melhor maneira possível a adoração do seu tempo [...] Também em períodos como a Reforma e o reavivamento americano no século 19, a música acompanhou a Palavra de Deus e novas músicas foram compostas.

Hinos tradicionais e adoração contemporânea
A hinódia tem sua importância porque nos conecta com o legado da igreja. Porém, temos que abrir espaço para os salmos e cânticos espirituais do nosso tempo. Cantamos hinos de movimentos do passado, que têm valor histórico mas não representam a experiência de hoje. É necessário a atualização constante de hinários, para que eles representem o movimento do Espírito de Deus sobre cada geração. 

Música vocal e música instrumental
O pastor Edemilson concorda que a maior valorização da produção vocal, em detrimento do estudo do instrumento musical, limita a adoração na igreja, onde são usados cds e dvds em demasia. Ele diz: Em vez de gastar energia discutindo qual instrumento deve ser utilizado, deveríamos investir esforço e recursos financeiros para treinar jovens instrumentistas.

Remuneração de um ministro da música na igreja
Durante a reconstrução de Jerusalém, os levitas foram reconduzidos ao cargo de músicos. Eles deixaram a agricultura para voltar ao templo a fim de educar o povo na teologia e na música. Qual a importância disso? 1) o músico pode auxiliar o pastor na preparação de programas mais adequados para a igreja, integrando pregação e cânticos; 2) Alguém remunerado pode dar aulas e formar novas gerações de músicos. Quando não se pode ter alguém exclusivo, um ministro de música por Associação poderia educar os voluntários nas igrejas locais, de acordo com a visão bíblica de adoração e louvor.

Formato contemporâneo para a liturgia
É importante que se fale uma linguagem que todos entendam, evitando jargões. A ordem do culto é importante, mas ela não deveria sobrepor-se à adoração. Encontrar o equilíbrio entre formalidade e informalidade é o segredo. [...] Como a questão da ordem do culto não é mandatória bíblica, eu acredito que Deus deu a liberdade de as igrejas entenderem o grupo com que estão trabalhando [a fim] de descobrir como tornar o culto mais relevante para seu contexto.

O lugar da adoração na vida
A adoração é mais do que culto, é um estilo de vida de quem decidiu seguir a Jesus. Não adianta a pessoa passar a semana longe de Deus e procurar compensar esse "déficit" de adoração no sábado. A experiência com Deus não acontece assim. No culto, não apenas recebemos bençãos de Deus, também entregamos a Ele a vida como oferta.

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Nota na pauta:  Embora os conteúdos bíblicos sejam os mesmos e a mensagem continue a mesma, a linguagem precisa ser adaptada não a um país inteiro, mas a cada contexto local. Como tornar a velha e feliz história de salvação em algo relevante para gerações nascidas em tempos de ceticismo e entretenimento globalizado? Se estudamos como a internet e os novos meios de comunicação podem ser usados para a evangelização, então a música não pode ser tratada como um acessório, mas como uma ferramenta que precisa ser implementada com estudo e comunhão, que traduza as experiências espirituais do cristianismo contemporâneo, que seja relevante musicalmente e teologicamente para os peregrinos modernos.
    

3 comentários:

Administrador disse...

Mto bom!!! Uma ótima leitura para a preparação de ministros da música para ano que vem!

Marcos De Lazzari disse...

remuneração hummm!

ministro de música? hummmm!


inovar sim! sem sair das recomendações hein Pastor de Washington... aliás aí nos EUA vale o manual da igreja? ou isso é coisa que tem que ser "superada" hehe

joêzer disse...

caro marcos,
o texto e a entrevista do "pastor de Washington" foram publicados na revista oficial da igreja adventista e não tem a intenção de ser normativo para nenhuma igreja.
ao contrário, ele frisa que cada igreja pode buscar o culto relevante mas equilibrado dentro de seu contexto e dentro de suas próprias espeficidades.
não creio que ele está saindo das tais recomendações e manuais que você invoca.