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música ruim é sempre a dos outros

Você pode ter dúvidas existenciais hamletianas ou não saber diferenciar um triângulo isósceles de um escaleno. Mas de uma coisa você tem plena ciência: todo mundo sabe o que é uma música boa e o que é uma música ruim.

Sem citar nomes nem canções, para não incorrer em injustiças, música boa é aquela que você e eu escutamos. Música ruim é aquela que toca na festa do vizinho ou aquela que o mancebo do carro com o porta-malas aberto escuta.

Pior do que uma música ruim é uma música chata. Provavelmente o que define o grau de chatice de uma música é a sua repetição ad infinitum. Nesse caso, mesmo sua obra-prima predileta fica insuportável e aí pode ser Pixinguinha (alguém ainda aguenta os versos "Meu coração não sei por que...") ou Beethoven (viu no que transformaram a Pour Elise?). Agora imagine uma música ruim repetida mil vezes em mil celulares no ônibus. A repetição se torna ad nauseam.

O site Retrocrush fez uma pesquisa com cerca de 4 mil pessoas nos Estados Unidos para saber quais as canções mais chatas de todos os tempos. Entre as vencedores, se podemos chamá-las assim, estão a abertura de um programa infantil (é a de nº 2 e não faço ideia de como ela entrou nesse indigno rol. Eu a substituiria tranquilamente pelo tema de ano novo da Globo); a canção (nº 4) que tornou conhecida uma coreografia cuja noção do ridículo só encontraria equivalência na tal dança do quadrado; e a canção romântica do Titanic (nº 5), para afundar com qualquer paixão. 

1 – Who let the dogs out, de Baha Men 
2 – I love you, do programa infantil Barney 
3 – You’re beautiful, de James Blunt 
4 – Macarena, de Los del Rio 
5 – My heart will go on, de Celine Dion 

Não posso sair por aí chamando de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto. Não fica bem pra um pesquisador imparcial. Mas a canção mais insuportável de uma lista que eu não suportaria fazer tem o refrão "And I e I-I-I e I-I-I-I-I will always love you-u-u-u-u-u-u" no xarope de Whitney Houston. Certamente você também não comprou os cds com essas desgraças sonoras. Então, como é que a gente sabe que elas são chatas? É que a música é traiçoeira e se aproveita do fato de que ninguém consegue fechar as orelhas. Ou como diz Millôr, a música é a única forma de arte que nos ataca pelas costas.

Comentários

Victor Meira disse…
Cara, os aforismos do Millôr não erram, acertam na testa, sempre.

Haha, bom post. Cabei de voltar de uma semana sofrida musicalmente com os amigos na praia. O rolê também me impulsionou a escrever sobre isso lá no Maná. Dá uma olhada, Joezer:

http://manazinabre.blogspot.com/2011/01/funk.html

Cara, se pá minha lista ia ser tão grande que eu nem ouso começar, haha. Acho muito sofrivel quase tudo que toca em rádio ou na maioria das baladas. Dureza. E tem TANTA coisa boa, cara, TANTA. Dá pra descobrir cem bandas mindblowing todos os dias.

Laiá.

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