28 dezembro, 2010

10 artistas em 10 anos: música cristã brasileira

Em dez anos, a música cristã brasileira, ou a música praticada por cristãos no Brasil, diversificou-se bastante: gêneros musicais regionais e estilos globalizados, performances cantadas, gritadas e choradas, refrões simples e intermináveis, letras densas e extensas. O combalido mercado fonográfico secular cresceu o olho e enxergou mais uma alternativa de lucro. Os artistas cristãos aproveitaram o convite e estenderam sua voz e sua mensagem até aonde ninguém ainda havia chegado, às vezes com padrões de atitude que nem todo mundo aceita. Alguns deles mereceram ouvir a música “É proibido pensar”, de João Alexandre, uma franca e corajosa crítica à mercantilização da fé e da canção religiosa.

Essa é uma lista de dez nomes representativos do começo do século.

Aline Barros
Unção, milagre, “apaixonada” por Jesus: sua carreira foi redirecionada das canções já clássicas de Célia Held para as temáticas claramente neopentecostais. Embora os números de vendagem não sejam contabilizados oficialmente, ela é considerada a cantora gospel que mais vendeu discos no Brasil. É pastora e também garota-propaganda de marcas de roupas e equipamentos musicais. Tem músicas e coreografias para o público infantil, solos em estúdio para a novela e “Louvor & Adoração” ao vivo para todos os públicos.

Fábio de Mello
Está na lista porque sucedeu o padre Marcelo Rossi no centro do palco da música católica com um estilo diametralmente oposto. Suas músicas são de pendor mais lento e reflexivo, além de não usar batina quando canta e ter que ouvir gritinhos de “lindo”.

Arautos do Rei
Passou por quatro diretores musicais (e outro tanto de formações) diferentes e ainda se mantém como referência nacional quanto o assunto é quarteto cristão. Um fenômeno histórico que adicionou modernidade sonora sem desagradar (quase) ninguém.

Oficina G3
Está na lista por freqüentar a lista de grupo respeitado inclusive por roqueiros não-cristãos. Com baladas suaves ou hard rock, o Oficina G3 alcançou ouvidos pouco afeitos à música cristã tradicional.

Apocalipse 16
O hip hop nasceu como música de protesto. O APC 16 e o Pregador Luo fazem hip hop para protestar contra a violência urbana, o consumismo e o comportamento permissivo de rappers idolatrados pela juventude, mas suas canções anunciam que a verdadeira mudança é espiritual. E mais: o rap se revelou também uma maneira de contar o evangelho a marginais e marginalizados.

Soraya Moraes
Levou o prêmio de melhor canção nacional no Grammy Latino 2008, superando Vanessa da Matta, Djavan e Jorge Vercilo. Uma reportagem do jornal O Globo, porém, mostrou que os cantores seculares pouco participam da votação e que a indústria fonográfica gospel votou em massa num criticado lance de corporativismo.

Paulo César Baruk
Combinando letras tocantes e melodias suaves com estilos pop mais acelerados, PC Baruk está na lista representando os artistas gospel que se consolidaram sem apelar para técnicas polêmicas de divulgação e sem aderir a performances extravagantes e extasiadas. 

Leonardo Gonçalves
Chega ao fim da década como cantor, compositor e produtor musical com ótimo tráfego entre a juventude cristã interdenominacional. O CD Avinu Malkenu, gravado inteiramente com músicas cantadas em hebraico, está sendo capaz de abrir diálogo inclusive com a mídia secular.

Raiz Coral
Passar 10 anos fazendo black music em português (mesmo com algumas performances controversas) é uma insistência que levou o coral e seu líder, Sergio Saas, a ganhar um prêmio nacional de talentos no SBT.

 Diante do Trono
Unção, milagres, “apaixonado por Jesus”: os grupos de ministério de louvor que tomaram conta das igrejas evangélicas são devedores do sucesso do Diante do Trono, goste-se ou não do estilo emocionado da cantora Ana Paula Valadão. Aliás, a família Valadão (pais, filhos e parentes) tornou-se ela mesma uma produtora de enorme sucesso voltada à pregação do evangelho.

*****
Termino essa lista pretensiosa e incompleta falando do mesmo estilo musical com que iniciei. O estilo “Louvor & Adoração”, com seus refrões multirrepetíveis, é defendido às vezes como a tábua de salvação para o fervor da adoração contemporânea. Mas tem o mérito de levar o povo a cantar com gosto nas igrejas (e estádios, clubes e avenidas) Brasil afora.

Outro:
10 filmes com a cara dos últimos 10 anos

3 comentários:

Daniella disse...

Gostei muito do post, especialmente do que você comentou no fim, do Diante do Trono. Conheço gente que dizia não gostar do grupo, e hoje tem na igreja um min. de louvor semelhante, cantando, inclusive, músicas do Diante do Trono.

Léo Fontes disse...

Será que quem canta precisa adotar um determinado estilo para atrair "fiéis", se são atraídos, para onde são atraídos? Só a letra que precisa pregar? Que tal doses de bom senso e equilíbrio?

joêzer disse...

daniella,
a influência do DT está mesmo em quase todo lugar.
léo,
como alguém adota um estilo é às vezes um mistério: questão de gosto pessoal, tática mercadológica, ampliação de público, alcançar descrentes, sinceridade, marketing, ...