06 abril, 2009

cem palavras: os homens menos sábios

Não é de hoje que nossa geração é intitulada "a menos sábia de todas as épocas". O novo século ainda nem completou uma década mas parecemos nos orgulhar de termos cada vez mais informação, menos conhecimento e nenhuma sabedoria.

Escalamos um Himalaia de assuntos e novidades enquanto nem subimos uma colina de reflexão sobre o que estamos aprendendo. Aliás, estamos de fato aprendendo ou só estamos acumulando símbolos, sons e imagens ininterruptas que são facilmente trocáveis? Será que, de tanto vagarmos como metamorfoses ambulantes, arrastados como caniços por qualquer brisa de doutrina insana, não estamos desacreditando as velhas opiniões formadas sobre tudo? Essas velhas opiniões não poderiam servir às vezes de peneira a fim de coar, de joeirar o caldo grosso de tudo que lemos, vemos, ouvimos e procuramos?

“[No início dos tempos] era a fome que trazia a morte; agora, ao contrário, é a abundância que nos destrói. Naquela época, os homens muitas vezes ingeriam veneno por ignorância; hoje em dia, mais bem instruídos, eles se envenenam uns aos outros.” (Lucrécio, século I A.C.)

“Nós deveremos ser lembrados na história como a mais cruel, e portanto a menos sábia, geração de homens que jamais agitou a Terra: a mais cruel em proporção à sua sensibilidade, a menos sábia em proporção à sua ciência. Nenhum povo, entendendo a dor, tanto a infligiu; nenhum povo, entendendo os fatos, tão pouco agiu com base neles.” (John Ruskin, 1872).

Um comentário:

Kelly disse...

Profundo...
Gosto muito dessa seção do site.