17 abril, 2009

o mundo e a fé

"Mundo" não são pessoas. São ações e valores imorais, amorais e egoístas. Cristãos, dos mais simples aos mais eruditos, convivem diariamente com pessoas não-cristãs (no trabalho, na rua, em casa, veem na tv) e sabem que, entre estas, existem pessoas de grande caráter e nobreza de alma. Isso vem desde muito tempo. Não por acaso, Jesus curava pessoas tidas como pagãs por muitos judeus e ainda acrescentava: "Nem em Israel vi tamanha fé".

Se alguém perguntar "não existem pessoas boas fora da igreja?" para um pastor ou para a vovó Maria, é provável que ambos digam que pessoas boas e más existem em todo lugar. Minha vó acrescentará, com sua fé simples e sem maiores digressões metafísicas, que é bem capaz que existam mais pessoas realmente boas fora da igreja do que dentro (mas de forma alguma recomendará para que alguém abandone a fé, a igreja, por causa disso).

Claro que alguns não sabem externar um pensamento mais equilibrado e acabam criando um apartheid espiritual mesmo. Lutar contra essa forma de segregação tem sido um engajamento de muito bom cristão. Quantas vezes ouvi sermões que apontavam para si e para os próprios membros da igreja, convocando-nos a sair da letargia, da falsa moral, do absurdo senso de exclusivismo de salvação. Em diversos blogs de cristãos que leio também percebo esse chamamento à vida cristã mais sincera e respeitosa.

Mas isso não é de hoje. Chesterton, C. S. Lewis, Moody, Billy Graham, Lutero (posso juntar Roberto Rabelo a esse grupo?), cada a um seu modo, e sem autoproclamar-se santos, chamavam os cristãos de suas épocas a viverem um vida de santidade diante de Deus e dos homens. O apóstolo Paulo, o maior teólogo de todos, identificava sérios problemas na igreja primitiva - e não apenas de ordem doutrinária, mas sobretudo de ordem espiritual e moral. Embora entendesse que havia sido chamado para corrigir e orientar, declarava-se "o menor dos santos" e admitia uma luta contra "um espinho na carne".

O ódio, a intolerância e o autoritarismo notados no meio religioso sem dúvida contribuíram para que os não-cristãos vejam a igreja cristã como uma organização dinheirista, hipócrita, moralista e desprovida de soluções para o mundo moderno. Isso também leva pessoas a generalizar (não sem razão) a atitude excludente e a soberba como marcas do cristianismo.

Lembro que há políticos corruptos escandalosamente, e se bate nessa tecla. Mas não se pensa (é, alguns pensam) em fechar o Congresso ou extinguir o sistema democrático. O melhor, optamos, seria mudar as pessoas que usam o sistema, reformá-lo judiciosamente e fiscalizá-lo com atenção.

Há líderes religiosos falsos e uma membresia preconceituosa (ignorância, desconhecimento do outro, farisaísmo, tudo isso?), fato. Há líderes que procuram promover o pensamento justo e membros que vivem o cristianismo de forma sã, embora passíveis de incorrer em erros que atribuem ao que chamam de "mundo".

A vontade de escrever é mais longa que o dia, tenho que ganhar o pão com o suor do meu rosto (ok, onde trabalho não suo tanto assim). Espero que eu tenha sido hábil em falar sobre isso que chamamos de mundo. Se não consegui, fique com o que disse Jesus em sua oração ao Pai pelos seus seguidores (enquanto orava, os três discípulos que o acompanharam, dormiam. Não seria um retrato da igreja?): "Pai, não peço que os tire do MUNDO, mas que os livre do MAL".

6 comentários:

Julison disse...

Excelente post! Enquanto lia, lembrei-me de uma frase de Mahatma Ghandi: "Tornarei-me Cristão, no dia em que encontrar um". Encontrar um cristão autêntico é muito difícil. Ser um deles então...

joêzer disse...

julison,
taí um desafio diário.

ângelo disse...

Amigo, não lhe conheço mas agradeço pelo texto. Já me peguei imaginando que era um exemplo. Mas é como diz Paulo que 'aquele que estiver em pé, cuide para que não caia". Muitas das vezes a gente se preocupa com a letra da lei e vai esquecedo da misericórdia, da graça e do perdão.

joêzer disse...

ângelo,
como você percebe, a lei e a doutrina podem orientar nossa caminhada. mas elas não nos garantem um caráter amoroso e gentil. isso vem com entrega sincera, reflexão, desejo (e necessidade) de mudança.

Zázu disse...

oopa, que expectativa de mudança...

Que seja essa via pela qual vos guie o espírito. Longe da arrogância e da ostentação da verdade.

está aí um caminho harmonioso, onde a virtude e a compreensão de si e do próximo podem aproximar o homem de Deus.

Raulison

Rdriigo disse...

muito bom post... muito boa a frase ainda julison

realmente existe um problema, qual a solução?

só consigo enxegar uma resposta.

Abraço