08 abril, 2009

o ataque dos sapatos risíveis

No momento em que o mundo atravessa grandes dificuldades, sempre surge um engraçadinho pra tirar a gente do sério. As bolsas de valores vivendo numa gangorra, o Evo Morales prendendo nosso gás, o MEC querendo mudar a forma do vestibular e, de repente, vem a notícia de mais um franco-atirador de sapatos. Dessa vez, o arremessador é um jornalista da Índia e o alvo era o ministro do Interior daquele país. Não faz tempo o ex-presidente dos EUA, George W. Bush, e o primeiro-ministro do Japão, Wen Jiabao já tinham sido alvejados.

Atirar sapatos em alguém é um insulto tanto no Iraque quanto na Índia. Mas errar o alvo de tão perto é um insulto à habilidade motora do ser humano. Ainda piora porque o quase-atingido fica todo pimpão ao escapar se contorcendo no estilo Matrix e soltar uma piadinha tipo Mel Gibson depois do perigo.

Das duas, uma: ou os políticos têm um sentido apurado digno dos X-Men – pressentem o perigo e desviam-se de objetos voadores – ou os jornalistas precisam treinar mais a fim de lançar sapatos, bolsas ou celulares com maior grau de precisão.

Caro free-lancer (tradução atual: livre-lançador), atente para algumas dicas:
- Se for dirigir um ataque de sapatos, não beba. Está mais do que provado que sua coordenação viso-motora será afetada e, depois, ridicularizada por toda a nação youtube;
- Não avise o destinatário da sapatada. Na Índia, o jornalista deve ter anunciado: “Ô Palaniappan Chidambaram, ó aqui procê!”. Antes da décima-oitava sílaba o ministro já tinha bolado duas novas desculpas, reclamado dos personagens indianos da Glória Perez e cantado o refrão de “Jai Ho”. Então, no Brasil não vá dizer “Ô Collor, segura essa!”. Ainda mais que este tem um histórico de atletismo, como corrida de processos e esconde-esconde de poupança.

No começo, era a pedra. Lascada ou não, a pedra atingia seus alvos com maior capacidade de provocar danos irreversíveis. Mas o amor cristão e a civilidade amansaram os indignados e ressentidos que, de século em século, foram trocando a pedra pelo tomate podre, o tomate pelos ovos, os ovos pela torta na cara e, quando o povo percebeu a nulidade do custo-benefício que era o ato de esvaziar a dispensa só para xingar ministros e empresários, substituiu-se a agressão hortifrutigranjeira pela proverbial vaia.

O problema é que uma vaia sozinha não faz verão. Mil bocas apupando é outra história. Uma vaia desse porte é capaz até de tirar o mandato do Sarney no Senado. Ops, me empolguei com a força vocal do povo. Ali em Brasília, vaias não fazem corar nem síndico. Melhor ir descalçando os sapatos.

3 comentários:

Loren disse...

vc deve ser muito solitário nesse mundo

joêzer disse...

caro loren,
então além de "solitário" vc pode me xingar de burro também, porque não faço a menor ideia de como vc chegou a essa conclusão sobre mim lendo este ou outro texto.

puxa, vc podia dizer que a ironia que tentei colocar no texto passou longe ou que simplesmente escrevo muito mal.

Loren disse...

ser cristão já é estar num lugar de incompreensão; um cristão erudito é duplamente problemático!

entendo a confusão... não foi precisamente por esse texto mesmo.
o humor nele está muito bem dosado, não tem pq se preocupar. aliás, acho q não te cabe tal modéstia

eu sou ela, a propóstio

vou acompanhar o blog sempre q possível

shalom adonai!