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cem palavras: a feiura do ódio

O cristianismo é uma religião de amor tão radical que não apenas recomenda aos seguidores para que amem a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. É preciso, ainda, que amemos os inimigos e oremos pelos que nos perseguem. Pra muita gente já é difícil corresponder ao amor alheio, imagine então amar quem nos odeia, querer bem a quem preferiria que nem existíssemos. A sabedoria bíblica já disse por outros versos o que você lerá na citação mais abaixo: que o coração alegre aformoseia o rosto, que a tristeza faz secar os ossos, que a palavra branda desvia o curso da ira, e outros conselhos simples e necessários. Às vezes, parece que é preciso que outros digam a mesma coisa, mas de outra maneira, para que se repense o modo de relacionar-se consigo e com os outros seres humanos:

“Uma vez, na televisão, o Miguel Sousa Tavares perguntou-me porque é que eu não tinha inimigos. Eu respondi que um inimigo dá muito trabalho. Quando nas andanças da vida, alguém é desagradável comigo, deixo-o cair e não perco tempo com ele, muito menos a odiá-lo. Isto não é por bondade, é por gestão das minhas energias e, também, como já tenho dito, porque procuro ter uma visão estética da vida e o ódio e a agressividade são coisas muito feias”.

António Alçada Baptista, em A Cor dos Dias, Memórias e Peregrinações

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