23 agosto, 2010

Jesus é um plágio de mitos?

Mal Cristo tinha ascendido aos céus e já havia gente duvidando da história toda. Se na época era assim, dois mil anos depois parece muito mais fácil ser Tomé. Antigamente, duvidava-se da espiritualidade de Jesus (não, ele não era um ser divino, diziam). Mais recentemente, questiona-se a carnalidade de Jesus (não, ele nem mesmo existiu). Estão tentando inscrever Jesus no museu imaginário dos mitos da humanidade.

Um vídeo intitulado Zeitgeist procura demonstrar que Cristo é um plágio de vários mitos da Antiguidade. No entanto, segundo o especialista Chris Forbes (enttrevistado no vídeo abaixo), a afirmação de que Jesus seria um plágio de um punhado de historinhas pra egípcio dormir não se sustenta. Ou seja, a tentativa de fazer do Cristo histórico uma lenda antiga é, na verdade, uma lenda moderna. Audioveja e entenda suas razões. Procure ler o que dizem outros especialistas a respeito da autenticidade do Jesus histórico, como o texto que indico logo abaixo do vídeo.



Mais:
Jesus, um plágio?: artigo na Revista Kerygma

(Dica de @lzgstv - L. Gustavo de Souza)

6 comentários:

Rafael Meneses disse...

Venho acompanhando as postagens. Excelentes!

Abraços!

joêzer disse...

venha sempre, rafael!

Victor Meira disse...

Realmente, o Zeitgeist é um filme ingênuo. Os argumentos são superficiais, passam longe de serem academicamente sérios no que diz respeito à mitologia comparativa.

Estruturalmente ele não fala disparates. Toda civilização possui sua mitologia corrente - a representação corrente do imaginário. Jesus é a figura central da mitologia da nossa civilização, assim como existe essa mesma figura em outras culturas, outras civilizações, povoados ou tribos, outros tempos.

Se Zeitgeist é ingênuo na argumentação, esse vídeo que pretende "desmascarar" é muito mais. Ele só é útil por apontar artifícios bobos do primeiro, como a comparação entre "sun" e "son". No mais, desmentir umas comparações sobre Hórus e Jesus também é saudável, uma vez que o Zeitgeist força a barra na comparação. Mas ele para por aí. E tem gente satisfeitíssima. É como se os vídeos funcionassem como amuletos: "ufa, agora tem um que eu posso acreditar, não preciso mais ter medo do outro". Ou antes: "ufa, eu não preciso mais estudar mitologia pra entender melhor do assunto e poder argumentar por mim mesmo".

Nenhum cristão quer aceitar uma argumentação lógica que fira seus pudores cristãos, mesmo que a coisa faça perfeito sentido pra ele. Mesmo que ele veja que aquilo é um fato, e não algo dependente de crença. Todo bom argumento é sempre peripécia do inimigo.

O estudo da mitologia e (e de mitologia comparativa) deveria ser ensino de base pra qualquer teólogo sério. Mas é perigosíssimo para as cabecinhas teologandas, né? Ninguém tá interessado ém teóricos da religião! A gente quer é formar pastores, abrir igrejas e catequizar o mundo inteiro pra debaixo da saia de Jesus. Depois a gente pensa em examinar a religião sem esse intuito jesuíta.

Ê laiá. Sigam mesmo o exemplo do historiador aqui desse vídeo "desmascarador": não acreditem em tudo que vcs veem no youtube, nem mesmo no próprio vídeo que dá essa dica (o professor é esperto, ele fala isso propositalmente). Ao invés disso, procurem boa literatura sobre os temas que os incomodam (aliás, é a dica dele também). Leiam Gilbert Duran, Mircea Eliade, Joseph Campbell, Bachelard, Lévi-Strauss, Jung. Tá aí: literatura seríssima sobre o tema.

É isso. Joêzer, por favor, não deleta meu comentário não, viu? Se ficar ofendido com qualquer coisa que eu possa ter dito, responde aqui mesmo, a gente conversa, debate, discute (francamente, não tenho a esperança de que alguém além de você vai ler aqui a minha réplica).

Abração!

Aron disse...

Só na introduçao do video, o entrevistador já jogou fora qualquer chance de ser levado a sério. Confunde a palavra mito com mentira. É o "mito" jornalistico, de revistas que fazem manchetes como "mitos sobre o sexo". Isso nao é mito.
Recentemente estava traduzindo uma palestra sobre Budismo onde na introduçao o apresentador fala: "É cometido o erro de pensar mito como religioes de outros povos."
Acho que nem isso mais acontece... É apenas pura mentira hoje em dia.

Zeitgeist, concordo com o Victor, é muito bobo. Paralelos muito tontos e falsos. Ao invés de ser algo sério... Nao. Prefere o superficial com uma montagem rápida e gráficos tontos que só querem causar efeito. Mas quer saber, acho que é um "fogo contra fogo". Aliás, nem chega aos pés do fogo que a igreja hoje em dia usa. Mas tentou, e por isso falhou. Usou metodos parecidos para por medo assim como o proprio filme acusa o governo e os seus bancos... Medo, medo e medo.

E esse video-entrevista é tao tonto quanto. Nao falou nada. Ficou na superficie. Mostrou o obvio para alguém que sabe pensar. E o 25 de dezembro nao é por ser uma data latina e sim ser o Solsticio. Nao importa o calendario que vc quiser inventar, é o que vai acontecer com o eixo da terra após cada volta ao redor do sol.

Cristo histórico... Uma pessoa, como cristao, precisa tanto dele assim? Nao de Cristo, da fé nele e etc, mas sim na historicidade dele... Uma pessoa precisa disso? Que tenha sido real? Eu amo a imagem de Jesus. Acho demais. É linda. Mas o que foi feito dela... É horrivel. E eu nao acho que pensar que o Jesus histórico nao existiu ou que nao foi tudo isso que tá relatado nos apenas 4 evangelios de 12 (acho), muda algo.

Já viu "A ultima tentaçao de Cristo"? Jesus histórico nao importa. Ali, a chave pra entender isso é quase no final, com Paulo. Acho que esse filme expressa muito bem essa problemática tao pouco importante a força do Jesus interno. E mais... Ajuda a refletir muito mais além do histórico espaço-temporal.

Só que a gente tá tao preso a isso quando pensamos em Jesus que só parece haver 2 opcoes: Acreditar que existiu ou nao. Acho que as 2 posicoes estao perdendo o foco real disso tudo: Voce mesmo.

Nao sei pq mas 1984 me veio a mente...

Um abraço e reitero o pedido do Victor: "É isso. Joêzer, por favor, não deleta meu comentário não, viu? Se ficar ofendido com qualquer coisa que eu possa ter dito, responde aqui mesmo, a gente conversa, debate, discute (francamente, não tenho a esperança de que alguém além de você vai ler aqui a minha réplica)."

Um abraço.

Victor Meira disse...

Eita, postei esse mesmo comentário depois lá no Youtube mesmo e o moderador censurou, deletou tudo e me deu um reply (com aquele tom paternal de prepa) ameaçando me banir.

Já aproveito então pra pedir desculpas se apimentei muito e falei pouco. São resquícios de dores antigas, confeso.

Bah, vamo que vamo.

joêzer disse...

aron e victor,
caras como vocês só enriquecem esse blog pretensioso.
um vídeo de alguns minutos não explica muita coisa. às vezes só confunde. no caso desse "vídeo-resposta" ao Zeitgeist, ele só começa a entrar no assunto. por isso, indiquei um link de um bom artigo para fundamentar melhor a discussão.
victor, uma coisa é a teologia pastoral e outra é a área da ciência da religião. o evangelho simples de Cristo não pode ficar refém de debates sobre "logias" e mais "logias". de outro lado, é sabido que os teólogos precisam de suporte da sociologia e da história, senão ficam reféns do pragmatismo simplista e generalizante. osso duro de roer!

aron, bem lembrado o livro do Kazantzakis adaptado pelo genial Martin Scorsese (a última tentação de Cristo). essa obra escapou da tentativa comum de enquadrar Jesus na história e foi direto para o Jesus que mais importa: o Jesus da fé, o Jesus da dúvida, o Jesus da metáfora. claro que algumas mentes sinceras na fé, mas conservadoras na estética e na poética, pularam de susto.
mas desconheço um filme mais teologicamente correto do que aquele. bíblico no sentido de que ele comporta o Jesus humano e divino, o Cristo pré-lapsariano e o Cristo pós-lapsariano.

ah, sim: só deleto ofensas pessoais ou palavras que soem feias aos meus ouvidos pudicos de Jane Austen.
abraços