
1º movimento - O declínio americano: a invasão do Iraque pelos Estados Unidos acirrou os ânimos anti-americanos de várias partes do mundo; a difusão de uma cultura estética erotizada, violenta e efêmera fez recrudescer o ímpeto ultra-conservador norte-americano; a queda dos mercados, a aguda crise de instituições financeiras centenárias, o declínio da pujança econômica estadunidense arrastando de roldão mercados emergentes. O país do “Estado laico” e do “livre-mercado” é a mesma nação tomada pela dissolução ética, por elevados índices de poluição e pelo clima anti-terror que produziu vigilância inconstitucional, prisões arbitrárias e tortura. Este mesmo país governado pela ultra-direita cristã estende as mãos sobre o Atlântico para o Vaticano em nome da ética global, instaura uma fobia anti-terrorista e converge a opinião da grande mídia em defesa de suas ações e agora “estatiza” organizações financeiras independentes e falidas.
2º movimento - Condenação do materialismo: na reformulação de suas identidades, as religiões universais encontram na ecologia e na ética um referente global. A denúncia do consumismo também faz parte da nova retórica religiosa. O budismo prevê o equilíbrio na produção de bens e de consumo, o islamismo combate o mundo materialista como um anátema demoníaco e a idéia de holismo media a perspectiva do pensamento ecológico integrado. A crítica a uma sociedade esbanjadora e consumista, porém, opõe-se visivelmente à ascese e moderação do protestantismo tradicional e das religiões orientais. Na China, prega-se o budismo econômico para os pobres enquanto o capitalismo mais desenfreado é adotado pelas outras classes sociais. O neopentecostalismo e o novo protestantismo estimulam agressivamente o consumo de bens “sacralizados e ungidos”. E Bento XVI condena o materialismo e ao mesmo tempo usa sapatos Prada, casula com 15 km de fios de prata e anel de ouro 24 quilates.
3º movimento - A defesa da Terra: aumento da poluição, escassez de água, desmatamento irrefreável, aquecimento global, esgotamento dos recursos materiais de sobrevivência. Um cenário apocalíptico de destruição do homem pelo homem causando a agonia lenta e gradual do planeta. Pano de fundo próprio para os defensores do ambiente atenderem o pedido de socorro da Terra, certo? Certo, mas não é só isso. Não apenas os ambientalistas do verde-que-te-quero-verde, não só os xiitas do GreenPeace, mas a Igreja Católica entrou pra valer na ecologia (digite "ecologia" no site zenit.org de informação católica). Leonardo Boff, o padre que lia o evangelho segundo o marxismo, direciona suas boas intenções para o alerta eco-teológico, a olhar para o recente conteúdo de seus livros – Ecologia, mundialização e espiritualidade e Nova Era: a civilização planetária. Sua visão do evangelho agora privilegia a existência de um Deus ecologicamente orientado e de um conhecimento ecocentrado em que o universo divino e o planeta Terra holisticamente se fundiriam no mesmo cosmos, inaugurando um novo modo de ser. A ecologia torna-se um paradigma que reorienta os caminhos da humanidade.
4º movimento - Uma ética global: fome, pobreza, crime organizado, corrupção política, opressão econômica, conflitos raciais e guerras étnicas. Retratando o colapso dos sistemas laicos de governo e regulação social, o Parlamento das Religiões Universais, realizado em Chicago-1993, enfatiza em sua declaração final a necessidade de um consenso global e uma atualização de vínculos morais entre pessoas que dividem o mesmo destino e o mesmo planeta. Caberia, então, às entidades religiosas o papel de administrar, em conjunto com as instituições democráticas legais, a profusão de problemas e sua complexidade de resolução. Assim, o discurso religioso voltaria a ter uma dimensão de atuação planetária ao pressupor uma moral planetária, desta vez sob a justificativa de uma nova ética mundial.
Como num concerto erudito, os “movimentos” quando escutados separadamente proporcionam uma audição incompleta. Contudo, ao escutarmos todas as seções do mesmo concerto, podemos entender a intenção do compositor, o estilo da interpretação do instrumentista, o que o autor e o intérprete estão comunicando. Relacionando os quatro “movimentos” acima é possível situar-se no tempo e na história e compreender de forma mais abrangente tanto os eventos que já se foram quanto aqueles que estão por vir.
O título desse texto é uma referência ao título de uma obra-prima musical de Olivier Messiaen (1908-1992).
Comentários
Interessante, porém, esse é o entendimento escatológico puramente Adventista do século 19. Este sistema foi baseado na premissa de que o Remanescente seria fiel em sua missão de pregar o Evangelho a todo o mundo em um geração. (Lema JA).
Hoje a IASD encontra-se atolada em institucionalismo e murcha cada vez mais nos países Europeus e periga cair na irrelevância aqui nos EUA. A Igreja Central de Berlim por exemplo, é um grupo de menos de 100 pessoas, em sua maioria de cabelos brancos. Qualquer igreja de interior nos EUA tem idade mediana de 80!
Se a parousia demorar algumais décadas mais, a China terá que ser entendida como a BESTA porque será o poder mundial. E por aí vai...
Enfim, acho que temos limitado demais a revelação ao tentar expandi-la. A única coisa que é 100% segura é a vinda de Cristo, agora como chegaremos lá, depende de que personagens centrais vamos escolher. A IASD pensa que é ela, os Mormons pensam que são eles, os Pentecostais, eles, as seitas, elas.
Minha missão como músico é pregar a Salvação gratuita em Jesus e não atravancar a mensagem com detalhes que nem nós sabemos como vão se desenrolar. Lembre-se que a Bíblia é menos categórica na sequência dos eventos do que nós queremos que ela seja, e isso me leva a confiar que Deus está no controle, não importa quanto tempo demore.
Prefiro pensar que Deus é o personagem central dessa história e Ele, em sua infinita paciência muitas vezes adpta seu plano porque nós falhamos. A IASD falhou e tem falhado e hoje não somos mais O remanescente, mas somos PARTE desse remanescente que prega o Evangelho da Salvação em Cristo Jesus pelo mundo afora, incluindo Batistas et al.
Que Ele venha logo e que eu esteja preparado!
Abraços,
André
concordo com os analistas que crêem que a tal BESTA não é um país ou alguém.
se a China tem participação mais decisiva? já está tendo. na Depressão de 29, os EUA estavam com o dinhiero no cofre. agora, suas reservas estão majoritariamente na Ásia.
quem escreveu que a falência ética e financeira dos EUA faria parte de eventos escatológicos escreveu antes de 1915, época em que poucos apostariam numa hegemonia norte-americana e não numa continuidade do império britânico e da força cultural francesa.
comentaristas políticos notam o avanço chinês, mas fazem ressalvas. A China mostra características (atualmente) de ser uma bolha econômica com 200 milhões de miseráveis encaminhando-se para os centros urbanos mais favorecidos; nações hegemônicas têm sua cultura e sua língua copiadas enquanto a China só absorve sem reciclar (redescobre a música clássica e se encanta pela cultura pop em língua inglesa; a barreira do alfabeto é quase insuperável);
nações imperialistas exportam seu sistema de governo, seu sistema contábil e sua religião é fortemente missionária (a China politicamente é fechada, fez uma mistura do pior do capitalismo com um socialismo de fachada, suas "religiões" não são religiões de salvação - são consideradas mais um excepcional conjunto de ensinamentos gerais e o 'boom' new age parece ter passado).
claro, tudo isso são avaliações feitas com o arsenal histórico até hoje. muita coisa pode mudar.
só sei que, do muito que falamos e especulamos hoje (até o advento é especulação messiânica nessa linha de raciocínio), quando o que tiver que acontecer, acontecer, diremos, se estivermos por aí: ah, então aquilo significava isso...
mas também não creio que fomos deixados à deriva sem pistas ou sinais confiáveis. seria insegurança ontológica e escatológica demais pro seu amigo aqui.
abraços