14 fevereiro, 2011

Ronaldo: fenômeno pela própria natureza



Do diminutivo Ronaldinho ao superlativo Fenômeno, Ronaldo passou por zagueiros e lesões com a mesma tenacidade e espanto.
A alcunha de "Fenômeno" nasceu da constatação de que Ronaldo, ao marcar tentos incríveis, ao desconcertar zagueiros com sua ginga, ao invadir a grande área com assombrosa velocidade, era um atleta extraordinário, a legítima manifestação de uma força da natureza, enfim, um fenômeno.
Campeão do mundo aos 17 anos, vice-campeão aos 21, de novo campeão mundial aos 25, maior goleador em Copas do Mundo com 15 gols aos 29 anos. Já as cifras pecuniárias são um capítulo à parte. Bem como os casamentos fracassados (sorte no jogo,...). Eis um Fenômeno do futebol, da conta bancária, da mídia.
No entanto, é sua história de vida que atesta que estamos diante de um fenômeno. Sua trajetória dentro e fora de campo é cercada por aqueles fatores que, se acontecem num livro ou num filme, chamamos de "excesso de ficção", ou de "forçar a barra".
Descontando sua infância e adolescência de parcas condições de sobrevivência, o menino já era de estirpe incomum. Pois foi driblando outros meninos e a falta de grana que ele chegou a revelação do Brasileirão aos 17 anos e contrato para jogar na Holanda.
Até aqui, tudo sorri para o menino que aos 20 anos é eleito o melhor jogador do mundo, agora no Barcelona. Em 1996, uma contusão o deixa fora de campo por dois meses. Mas isso não o impede de ser reeleito o melhor do mundo no ano seguinte.
Com apenas 21 anos, Ronaldo se vê na Copa da França entre carrões na garagem, cifrões no banco e infiltrações no joelho. Parece demais para o guri, que desmorona horas antes da grande final e, depois, junto com a seleção durante o jogo.
Após o mal-esclarecido e retumbante malogro, Ronaldo era dado como desaparecido. Ele volta timidamente, como um adolescente desentrosado, dessa vez, na Inter de Milão. Mas seu joelho não suporta e o faz passar cinco meses longe dos convidativos gramados italianos. Aumentam as vozes que agouram seu retorno.
A reestréia, em 2000, é rápida, mas não indolor: com apenas 11 minutos em campo, Ronaldo sofre rompimento total do tendão patelar do joelho direito. Em português: a morte para o futebol. O final feliz é remoto e um novo retorno é improvável.
Dois anos se passam e Ronaldo ressuscita na Copa do Japão e da Coréia: campeão outra vez. Quatro anos após um fracasso, providencialmente Ronaldo tem a chance de reescrever sua história numa final de Copa do Mundo. Seu choro infantil à beira do campo é pela batalha pessoal vencida com todos os gols. A ficção não faria melhor.
No Real Madrid, Ronaldo é uma estrela na galáxia onde brilham Roberto Carlos, Beckham, Raúl e, se não pode vencê-lo, Zidane. Logo a constelação vira um buraco negro que traga o Fenômeno consigo. Para piorar, seu tempo de recuperação de contusões é demorado e inversamente proporcional ao tempo que consegue ficar casado.
Se a noiva lhe escapa, nem a sorte no jogo lhe consola. Ronaldo conserva a fome de gols na sua quarta Copa do Mundo, mas Ronaldo, dizem, não é mais uma força da natureza. No máximo, uma brisa que não incomoda o adversário. Seu peso (ou excesso de) é motivo de escárnio. Sua aposentadoria é anunciada de novo.
Muda de ares, vai para o Milan, onde encontra um ambiente que favorece seu renascimento: ovacionado outra vez, sugerido até para a seleção brasileira. Se a vida parece boa, é hora do "mas": rompimento total do tendão patelar do joelho direito (os casos de rompimento bilateral são raríssimos. Até nisso ele é fenômeno). Os obituários do futebol já lavram a ata.
Toda vez que um boletim médico dava sua carreira como encerrada, Ronaldo refazia sua sina. Mas agora o corpo de Ronaldo pede descanso, não aguenta mais viver no olho do tsunami que é a pressão para exibir semanalmente o espetáculo atlético que o tornou conhecido mundialmente.
Ele, que voltou tantas vezes da morte anunciada, tem que parar. Não porque prefere, mas porque é preciso.
Mesmo que se diga que lições de vida descambam para o melodrama, não resisto a afirmar que Ronaldo é um fenômeno de persistência, de superação. Há algo a se aprender com tamanha resiliência e vontade de reconstruir as paredes da própria vida.


2 comentários:

Luana Rocha disse...

Olá, Joêzer. Estou fazendo a divulgação de um novo formato de ópera no cinema que estreia no Brasil em março e gostaria de lhe enviar mais informações a respeito, já que você é um apreciador de música clássica e cinema. Caso tenha interesse, é só entrar em contato pelo email luanarocha[arroba]belemcom.com.br. Abcs!

elta rodrigues disse...

É agora Ronaldinho...que vc ira curtir o que vc buscou,lutou,e conquistou ao longo de sua carreira.
É agora Ronaldinho...que o Brasil parou p/ reelembrar o quanto vc foi importante na história do futebol.
É agora ronaldinho...que o brasil te dará o valor que sempre mereceu,pois só quando perde é que sabemos a importancia,o valor que a pessoa tem...
Obrigado Ronaldinho por tudo que vc fez pelo futebol,sempre te adimirei muito e p/ mim vc sempre será o melhor.
Boa sorte nessa sua nova fase de vida e que Deus te abençoe sempre...