16 dezembro, 2008

Todo mundo odeia o Bush


George W. Bush sairá da vida na Casa Branca para entrar na história. Na história das anedotas e piadas. Algum outro presidente foi tão satirizado, criticado e odiado quanto o filho de George Bush I?

Qualquer Forrest Gump percebeu que o atual presidente passou os dois mandatos esforçando-se tenazmente para angariar o rancor e o ressentimento do mundo. Nenhum foi tão bem-sucedido em ativar o anti-americanismo latente em todas as nações que vivem na esquizofrenia de amar e odiar a América ao mesmo tempo.

Rememoremos algumas das peripécias de George W. Bush no comando da nave imperial:
1) Seus espias e arapongas não se prepararam devidamente para o súbito ataque terrorista de 11 de setembro.
2) Passou meses caçando em vão o inimigo público #1, Osama Bin Laden.
3) Fez da invasão ao Iraque um canteiro de obras para as empreiteiras ligadas ao lobby de políticos republicanos.
4) Chafurdou num atoleiro à la Vietnã ao subestimar a capacidade de retaliação iraquiana, cujos homens-bomba iletrados e desempregados são usados como literais buchas de canhão pelos islâmicos mais belicistas e fanáticos.
5) Foi acusado de negligência no socorro às vítimas do furacão Katrina.
6) Não ganhou mas levou a reeleição. Se isso tivesse ocorrido numa republiqueta sul-americana, a região teria sido infestada de inspetores da Transparency International.
7) Vai deixar o trono com o país financeiramente nocauteado. A culpa pelo caos econômico não é só de Bush. A política financeira americana vem há décadas abusando de períodos de vacas gordas, com pequenos sustos aqui e acolá. Como nenhum outro presidente fez o dever de casa antes, a crise estourou no colo de Bush. Nunca na história da república americana houve homem mais errado na hora mais errada no local mais errado.
8) Foi o marechal de Guantánamo, a terra sem lei.

Como se vê, se a ONU fosse o DETRAN, Bush teria sua carta de motorista da máquina americana tomada por imprudência, imperícia e negligência.

Depois de ser retratado (exageradamente, muitas vezes) como um político sem dotes, como um Jerry Lewis mais apalermado, como um Chuck Norris piorado, enfim, após tantos equívocos e subterfúgios, o homem chegou ao grau máximo de descrédito. Porque se não fossem seus movimentos friamente calculados, Bush teria levado uma sapatada de um jornalista iraquiano, que ainda o chamou pelo insulto sórdido de “cão”. Perto dos epítetos pelos quais a comunidade ocidental andou lhe chamando, o xingamento canino chega a ser reconfortante.

É triste ver um homem que não consegue fazer amigos. Se bem que, no Dia de Ação de Graças deste ano, Bush seguiu a tradição e perdoou um peru aliviando-o da panela certa. Pelo menos com um amigo ele poderá contar.

PS: eu demorei mais que vocês pra perceber que, na foto "Um presidente no jardim-da-infância" (na cumeeira desta postagem), Bush segura o livro em posição pouco ortodoxa.

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